A sexta edição de Et cetera traz como editorial os versos de Joseph Brodski. O poeta russo dá a entender que suas palavras seriam de “segunda ordem” — e, segunda ordem, convenhamos, são esses dias contemporâneos, repletos de revelações diminutas.
Mostras de arte ajudam a iluminar esse nevoeiro comezinho. Na edição 6 da revista Et cetera (que existe desde o número zero, portanto, esta é a sétima) os destaques são muitos. Décio Pignatari lê o filme Dogville tendo Kierkegaard como lente. Nelson de Oliveira critica a crítica literária brasileira, Marcelo Tápia traduz Roberto Echavarren. Eliana Borges traz suas Cartografias — e o professor Manoel Ricardo Lima analisa sua performance em O corpo como mapa de si mesmo. O poeta Cláudio Daniel traduz Armando Roa Vial. A fotógrafa Fernanda Magalhães apresenta seu ensaio acerca do nu feminino. E há ainda uma entrevista exclusiva com Ferreira Gullar.
A revista traz também contos inéditos de Fernando Pessoa Ferreira, Amilcar Bettega, Tereza Yamashita, entre outros, e poemas inéditos de Horácio Costa, Adriana Zapparoli e Franklin Alves. “Orgulhosamente admito que minhas melhores idéias são de segunda ordem, e possa o futuro tomá-las como troféus de minha luta contra a sufocação”, escreveu Brodski.
Qua a arte amenize o sufoco desses dias menores.