LIVRO
Todo o sangue
Fábio Campana


Romance
150 páginas
14 x 20 cm
R$ 28,00 +frete
ISBN: 8589485-09-9

Dividido em três partes, Todo o sangue esconde a dissimulação da sociedade pouco original em que vivemos.

Na primeira seção estão experiências sensoriais impessoais, que tratam de temas em comum: o amor, ódio, medo, angústia e as dúvidas, sem respostas, respondendo quem as lê. Na segunda se abrigam os personagens do crime, da tortura e da violência cometida tanto pelo homem quanto pela natureza. Na terceira estão passeios pela memória histórica do Paraná.

A sugestão é que o leitor e tente apreender este livro de uma só vez, esqueça as divisões e não isole suas partes.



Resenha
Literatura e cartografia, dois desafios de interpretação.
Nelson Oliveira

Sempre que abro o mapa da cidade - seja ela São Paulo, Rio de Janeiro ou Curitiba, não importa - várias questões me ocorrem. Todas alheias ao fato de eu estar ou não perdido. As mesmas questões que me ocorreram enquanto lia os originais deste livro. Prosa ou poesia? Fato ou ficção? Fundo ou figura? Certamente ora isso ora aquilo, quando não é tudo isso ao mesmo tempo.

Porque as memórias, os breves ensaios, a prosa poética e os poemas em prosa desta coletânea não tratam apenas da fronteira que separa o Paraná de seus vizinhos, o presente do passado, as personalidades históricas do zé-povinho. Tratam do limite - por vezes cruzando-o - entre o relato histórico e a reelaboração imaginária, entre o caminhar exteriorizado e em linha reta, característico do conto e o vôo interiorizado e em ziguezague, típico da poesia, entre o fundo e a figura.

Dividido em três partes - inferno, purgatório e paraíso? -, Todo o sangue esconde a áspera maciez e o negro clarão da multifacetada sociedade sem rosto na qual vivemos. Na primeira parte estão as experiências sensoriais pouco comprometidas com a monótona causalidade do cotidiano. Na segunda abrigam-se as criaturas hediondas do crime, da tortura, da violência cometida tanto pelo homem quanto pela natureza. Na terceira estão os passeios pelos meandros da memória ancestral do Paraná.

No entanto, minha sugestão é que você, leitor, esqueça as cisões que há entre essas três seções, entre os diversos textos, e tente aprender este livro de uma só vez. Não isole suas partes. Ao contrário, agrupe-as todas numa imagem única. Analise-as em conjunto, como você faria, por exemplo, com um mapa desdobrando em cima da mesa.

Uma vez feito isso, tudo muda de figura, todo fundo mostra-se falso. Agora as veias e os vasos capilares observados nesse mapa só segues direções distintas para quem, estilhaçado pelos fragmentados do aqui e agora, não soube conservar no seu estojo de primeiros socorros o olhar totalizante.

Encarados como elementos do mapa ficcional de Fábio Campana, os protagonistas de narrativas tão distintas quanto Insônia, Ossos do ofício, e A eterna juventude de nossos pecados capitais combinam-se para compor o mesmo sentimento de nostalgia e de repulsa. De nostalgia pelo tempo mítico, quase pré-histórico, quando a América Latina, o Brasil, o Paraná e Curitiba estavam ainda em formação. De repulsa pelas feridas abertas na memória viva da classe média pelas sete pragas do regime totalitário.

Decifrado o mapa, os intervalos entre a prosa e a poesia desaparecerão. Cristãos novos e árabes, Gregório IX e Cabeza de Vaca, Dedé e Ali Chain, Cauby Peixoto e Caetano Velozo, pela primeira vez reunidos, cantarão É proibido proibir nas ruas desertas, nas avenidas desenhadas no chão das celas escuras e frias.

Cartografia e literatura, dois desafios de interpretação? Pode apostar que sim. Mas desafios que se completam.

Segundo passo: a coletânea finalmente assimilada na sua qualidade de carta geográfica, dê meia-volta, torne a desmembrá-la e devolva o que era livro ao mapa. Desfaça todos os laços, divida-o em três partes, volte a se perguntar: prosa ou poesia, fato ou ficção, fundo ou figura?

Complicado, este meu método de leitura? Não. Complexo, igual à vida em sociedade.


Trecho
Insônia
p. 18 - 19
(...) Então houve um jovem procurando o homem. Fatigado ao peso de seu fardo. Lembranças do amor e da guerra. (Rios de peixes(...)

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11/9
Wilson e Sarrafo e Orquestra Sinfônica do Paraná – Concerto em Ri Maior
A dupla de palhaços Wilson e Sarrafo apresenta seu tradicional espetáculo humorístico Concerto em Ri Maior em versão especial, acompanhados por arranjos da Orquestra Sinfônica do Paraná sob a regência do maestro convidado Alexandre Brasolim. O  espetáculo  conta,  através de música  e  malabarismo,  a  história  do maestro  russo  Wilson  Schevchenco  que  apresenta  a  tradição  musical  de  sua família  com  a  ajuda  de  seu  amigo  e  fiel  tradutor,  Sarrafo. Serviço: Concerto em Ri Maior & Orquestra Sinfônica do Paraná Datas: 11 e 12 de Setembro Horario: dia 11 as 20h30 e dia 12 as 19h Ingressos:R$40,00(platéia) R$30,00(balcões) Local: Auditório Bento Munhoz da Rocha Netto(Guairão) Endereço: Rua XV de Novembro, 971, Centro
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